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Armstrong e Oprah: Deus aceita uma mentirinha?

Rádio Advento | 7:00 AM |

Armstrong e Oprah
Armstrong: Estou aqui para reconhecer meu erro.

Armstrong admitiu ter se dopado durante toda a carreira e tomado todo tipo de substâncias proibidas para melhorar seu rendimento nos sete títulos de Volta da França que ganhou. Depois de perder todos esses títulos e ser suspenso de forma definitiva do esporte, o segredo de Armstrong, ou a ‘mentira’ veio a público. O americano Lance Armstrong reconheceu seu erro, sua ‘mentira’ durante entrevista à jornalista Oprah Winfrey e garantiu não ter usado substâncias proibidas em 2009 e 2010, quando voltou a competir na Volta da França pela última vez em 2005. Questionado se era possível vencer a Volta da França sete vezes seguidas sem fazer uso de substâncias proibidas, o ex-ciclista foi claro:
— Não, em minha opinião.
Na sequência, Armstrong foi categórico ao dizer que na sua época ninguém conseguiria vencer essa competição sem se dopar.
— Estou aqui para reconhecer meus erros e pedir desculpas. Os cinco que não se doparam naquelas Voltas da França foram os verdadeiros heróis. Nosso sistema era profissional e inteligente, sem riscos, com precaução, mas não foi o maior. Não inventei essa cultura, mas não fiz nada para detê-la.
Diante dessa revelação no mundo do esporte, vamos refletir sobre assumir ou não a verdade.
É A MENTIRA JUSTIFICÁVEL EM ALGUMAS SITUAÇÕES?
Teria Deus aceitado o emprego da mentira, como no caso de Raabe (Js 2:3-7) e até orientado o profeta Samuel a mentir (ISm 16:1-4)?
Para início de discussão, deve-se dizer que a Bíblia não apoia o emprego da mentira em nenhuma situação; ao contrário, credita-a ao diabo: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”(Jo 8:44). Ora, visto que Deus não apoia nenhuma espécie de mentira, como entender a mentira de Raabe e a instrução divina a Samuel para que ele omitisse o objetivo maior de sua visita a Belém? Analisemos a mentira de Raabe, relatada em Josué 2:3-7:
“Mandou, pois, o rei de Jericó dizer a Raabe: Faze sair os homens que vieram a ti e entraram na tua casa, porque vieram espiar toda a terra. A mulher, porém, havia tomado e escondido os dois homens; e disse: É verdade que os dois homens vieram a mim, porém eu não sabia donde eram. Havendo-se de fechar a porta, sendo já escuro, eles saíram; não sei para onde foram; ide após eles depressa, porque os alcançareis. Ela, porém, os fizera subir ao eirado e os escondera entre as canas do linho que havia disposto em ordem no eirado. Fo-ram-se aqueles homens após os espias pelo caminho que dá aos vaus do Jordão; e, havendo saído os que iam após eles, fechou-se a porta.”
É claro que Raabe sabia quem eram aqueles dois espias, conforme suas próprias palavras em 2:8-13. Então, como fica sua evidente mentira, mesmo que fosse para salvar sua própria vida e a dos dois israelitas? O fato de sua mentira ser mencionada na Bíblia é uma indicação de que Deus a teria aprovado? Primeiramente, devemos nos lembrar de quem era Raabe. Era uma cananeia, prostituta e adoradora de ídolos. Não devemos, pois, cobrar dela mais do que poderia dar. Ou seja, não devemos julgá-la à luz do conhecimento que Israel tinha de Deus e do que era certo ou errado. Ela agiu como uma típica pagã teria agido. “Para um cristão, uma mentira nunca pode ser justificada, porém para uma pessoa como Raabe a luz vem gradualmente. ‘Deus não leva em conta os tempos da ignorância (At 17:30). Deus aceita o que é sincera e honestamente praticado, mesmo quando misturado com fragilidade e ignorância. Deus nos aceita como somos, porém devemos crescer na graça (2 Pe 3:18)” (SDABC, v. 2, p. 183).
Assim, vê-se que a Bíblia apenas menciona a mentira de Raabe, sem, contudo, endossá-la ou apoiá-la. O certo é que Raabe deve ter feito mudanças em sua maneira de agir ao se casar com Naasom, um príncipe da tribo de Judá (Mt 1:5), tornando-se, assim, ancestral de Cristo. Uma vez que ela figura na galeria dos heróis da fé (Hb 11:31), com certeza, deixou de lado o uso da mentira. O caso de Samuel é mais difícil de entender do que o de Raabe, que era uma pagã. Samuel era israelita e também profeta de Deus. Como, pois, entender a instrução divina a ele, relatada em 1 Samuel 16:1-4?: “Disse o Senhor a Samuel: Até quando terás pena de Saul, havendo-o Eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche um chifre de azeite e vem; enviar-te-ei a Jessé, o belemita; porque, dentre os seus filhos, Me provi de um rei. Disse Samuel: Como irei eu? Pois Saul o saberá e me matará. Então, disse o Senhor: Toma contigo um novilho e dize: Vim para sacrificar ao Senhor. Convidarás Jessé para o sacrifício; Eu te mostrarei o que hás de fazer, e ungir-Me-ás a quem eu te designar. Fez, pois, Samuel o que dissera o Senhor e veio a Belém. Saíram-lhe ao encontro os anciãos da cidade, tremendo, e perguntaram: É de paz a tua vinda?”
Esse é um caso de “informação incompleta”, ou seja, Samuel não devia dizer naquele momento tudo sobre sua visita a Belém, visto que o rei Saul poderia matá-lo e também aquele que seria ungido (no caso, Davi) e quem sabe até toda a família de seu pai, Jessé. Ao dizer para os anciãos de Belém: “Vim para sacrificar ao Senhor”, Samuel não estava mentindo, pois havia ido até Belém também para isso. Só que, naquele momento, não devia revelar o objetivo maior de sua visita, que era ungir um novo rei. “Não era do interesse público que a unção de Davi fosse conhecida naquele momento” (Ibid., p. 529).
Em qualquer situação, e em especial as de risco, deve o cristão seguir o conselho de Cristo: “Eis que Eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10:16). Imagine um cristão com um carregamento de Bíbliastentando entrar num país em que o cristianismo é proibido. Ao ser perguntado por um guarda da alfândega sobre o que está levando, seria prudente dar todos os detalhes do conteúdo das caixas, dizendo tratar-se de Bíblias, incluindo o tipo de versão, se em brochura ou encadernadas, a cor, tamanho, ou bastaria dizer que está levando livros? Agora, se lhe fosse perguntado se o que estava levando eram Bíblias, então deveria dizer que sim, que eram Bíblias. Ou seja, não deveria dizer mais do que lhe fosse perguntado. Vivemos em dias de muita falta de honestidade e veracidade. Deus espera que cada seguidor Seu diga sempre a verdade, mas com a prudência orientada pelo Espírito Santo.
Seja feliz!
J.Washington
Ozeas C. Moura

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