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o Transtorno do Pânico

Rádio Advento | 9:00 PM |


osquatroidotranstornoO transtorno do pânico pode ser vencido, depende de com você interpreta os eventos, de como administra seus pensamentos, etc. Veja mais.

Estava no Metrô de São Paulo sentado numa cadeira ao lado da janela do trem quando numa das estações ele parou de maneira que ao eu olhar para a janela via um paredão. Nada mais. Me veio à mente o que imagino que deve ocorrer com pessoas com transtorno do pânico e fobias. Pensei: “Se uma pessoa que sofre de pânico estivesse aqui agora e olhasse esse paredão, com o trem cheio, e começasse a deixar seus pensamentos de medo tomarem conta da mente, dizendo que não há saída, que poderia faltar ar para todos, que sair dali seria impossível, e outros pensamentos trágicos, a crise seria desencadeada.” Aquilo que a gente mais pensa, nisso a gente se torna, mesmo que não seja verdade o que o pensamento está dizendo.
Crise de pânico é uma reação repentina fortíssima de ansiedade e medo, é inesperada, e produz sintomas de mal estar físico e emocional, levando a pessoa a fugir daquele local e procurar um pronto socorro ou alguém com quem acha que se sentirá segura. Se você está vivenciando uma situação trágica, como um tiroteio entre bandidos e policiais, é normal ficar em pânico naquele momento. Mas a pessoa com transtorno de pânico sente um pavor de morrer ou de perder o autocontrole (sensação de despersonalização) mesmo quando não há nada no ambiente que favoreça isso.
O diagnóstico de doença do pânico requer a existência de crises repetidas nas últimas semanas ou meses, preocupação exagerada de ter novas crises e pelo menos 4 dos sintomas: 1)Taquicardia (aceleração do coração), 2)Tremores finos nas extremidades ou no corpo todo, 3)Sudorese no corpo todo ou só nas mãos e pés, 4)Sensação de que irá desmaiar, 5)Sensação de sufocação ou dificuldade para respirar, 6)Aperto ou dor no peito que é interpretada como ataque cardíaco, 7)Tonteira ou sensação de cabeça vazia, 8)Medo de morrer, 9)Medo de enlouquecer, e outros sintomas. Cerca de 2% da população sofre deste transtorno, mais comum em mulheres (2 para 1 homem), em torno dos 30 anos de idade, e pode ocorrer na juventude, velhice ou em outras idades.
Sua causa não é bem esclarecida pela ciência, havendo teorias diferentes, dentre elas a de que no cérebro ocorrem reações fisiológicas, começando no Locus ceruleus, produzindo reações físicas como as citadas acima, já que esse centro cerebral tem conexão com o nervo vago que se extende para a região do tórax e abdome, daí as sensações de sufocação, aperto no peito, mal estar gástrico, etc. Algo ativa este sistema neurofisiológico de forma exagerada gerando os sintomas da crise de pânico.
Outra idéia é a que fala que as crises podem ser desenvolvidas à partir de um condicionamento mental que a pessoa vem fazendo com interpretação trágica imaginária que desencadeia toda a reação do pânico no futuro porque, por exemplo, um dia ela subia num elevador e sentiu uma forte dor no peito, associando assim isto com andar em elevador, e daí expandindo para medo de lugares fechados.
Conversando com o colega Dr. Elzo Porto, cardiologista, um dos raros médicos que tem uma ótima visão dos aspectos emocionais dos pacientes, que consegue ver a pessoa como um todo e não só como um órgão doente fisicamente, ele trouxe uma idéia interessante sobre as causas do transtorno do pânico que compartilho agora, com a autorização dele. Ele falou dos 4 “i” ligados à pessoa com esta doença: 1)Irracional, 2)Inteligente, 3)Irresponsabilidade e 4)Insegurança.
Irracional porque a pessoa com pânico faz comportamentos que sabe que não funciona. Repete atitudes irracionais. E eu diria, nutre pensamentos trágicos, ao invés de controlá-los e não deixar que eles tomem conta da mente, como comentei sobre o que ocorreria na mente de uma pessoa que estivesse no metrô naquela circunstância. Inteligente porque estas pessoas apesar de serem inteligentes gastam muita energia mental pensando nos problemas. Exageram na meditação sobre as crises, sintomas, e isto piora. Irresponsabilidade porque com alguma frequência são pessoas que se ocupam demais dos outros e se deixam de lado. São meio injustas consigo mesmas. Insegurança porque precisam desenvolver mais autoconfiança não orgulhosa e prepotente, mas com humildade e serenidade.
A crise de pânico é um transbordamento da ansiedade, seja porque a pessoa está estressada e reprimindo impiedosamente contra si mesma setimentos que precisariam ser ventilados, ou atitudes modificadas em defesa própria, descanso, relaxamento, colocação de limites, seja porque se condicionou a fazer uma interpretação trágica dos eventos, desnecessariamente. E isso pode ser modificado. Você pode aprender a pensar, sentir e agir de maneira mais saudável.

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