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O que Deus tem a ver comigo?

Rádio Advento | 9:25 AM |


Essa pergunta emerge naturalmente quando apresentamos espiritualidade como sendo uma plataforma sobre a qual os demais aspectos da pessoa se sustentam. Para começar a responder, vale lembrar que não é segredo que o ser humano tem necessidades espirituais. Segundo o The World Fact Book, publicado pela Agência Central de Inteligência - CIA, apenas 9% da população mundial se declara não religiosa.1
É inegável que dentre as espécies animais, a humana é a única que utiliza práticas religiosas com a intenção de satisfazer necessidades espirituais. Por isso, na tentativa de explicar cientificamente essa questão existencial, muitos filósofos e pesquisadores afirmam que reflexões sobre a mortalidade inevitável e seu consequente desejo de imortalidade geraram anseios espirituais cuja satisfação seria a causa do surgimento do fenômeno religioso no processo evolutivo da humanidade.2
Como isso teria acontecido em supostos troncos evolutivos separados por milhares de quilômetros, inexistência de meios de comunicação e mesmo a impossibilidade de transmissão oral resultante dos diferentes idiomas são lacunas que os céticos crêem que você preencherá pela fé.
A resposta que procuramos está na satisfação de nossas necessidades mais profundas. Lawrence J. Krabb afirma que todas as necessidades do ser humano podem ser organizadas em três grupos. O primeiro é o grupo dos “anseios cruciais”, o segundo é o dos “anseios críticos” e o terceiro é o dos “anseios casuais”.3 Segundo ele, a busca incessante por realização e crescimento é decorrente da ignorância, má compreensão ou, ainda, da negação da existência desses anseios. Apenas para facilitar a discussão dos conceitos, vamos denominá-los necessidades cruciais, essenciais e importantes, respectivamente.
Nossa sede de coisas e tudo o que está relacionado a elas é o que chamamos aqui de necessidades importantes. Toda pessoa, não importa a origem, a cor da pele, a ideologia ou a crença tem necessidades importantes. Essas necessidades são satisfeitas pelo valor material que atribuímos às coisas. Portanto, ninguém deveria condenar você por querer ter coisas. Todos nós gostaríamos de ter um novo carro, uma casa, roupas boas, móveis confortáveis, enfim, a lista pode ser interminável. É tão bom quando recebemos uma promoção, um presente ou conseguimos comprar algo que estávamos querendo há tempos, não é mesmo?
Nossa sede de receber e expressar simpatia, afeto, carinho, amor e tudo o que está relacionado a isso é o que chamamos aqui de necessidades essenciais. Da mesma forma que as necessidades importantes, toda pessoa tem necessidades essenciais. Essas necessidades são satisfeitas pelo valor emocional que atribuímos às pessoas e às nossas relações sociais. Assim, ninguém deveria condenar você por querer ter companhia, colegas, amigos, uma família, nem mesmo por querer ter 5000 amigos no Facebook.4 Todos nós gostaríamos de ser amados e amar. É tão bom quando nossas emoções são tocadas por expressões de carinho, não é mesmo?
Nossa sede de conhecer a verdade, o oculto e viver eternamente e tudo o que está relacionado a isso é o que chamamos aqui de necessidades cruciais. Da mesma forma que as necessidades importantes e essenciais, toda pessoa tem necessidades cruciais. Essas necessidades são satisfeitas pelo valor espiritual que atribuímos aos ritos religiosos em geral. Assim, ninguém deveria condenar você por ter fé. Todos nós gostaríamos de viver pra sempre. Ainda mais se o nosso mundo mudasse pra melhor, você não acha?
Tudo está muito bonito. Na teoria, parece uma explicação razoável para nossa existência. O problema é que em vez de amar as pessoas, nós às pisamos para ter as coisas. Isso quando não acabamos idolatrando as pessoas e mesmo as coisas! Algo está errado. O que seria? A justificativa que fez mais sentido para a desordem intra e interpessoal que vejo é a que aparece na Bíblia, em Eclesiastes 3:11 que diz:
“Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim.”
Deixe Deus ocupar seu coração!

Não. Salomão5 não está dizendo que Deus é o culpado pela bagunça estrutural que vemos no ser humano. Ao usar a palavra hebraica olã, traduzida por eternidade, ele está dizendo que Deus colocou de forma sobrenatural na criatura o anseio pelo Infinito. Tempo e espaço infinitos dentro do nosso coração. Incrível!
De forma objetiva, a Bíblia explica a razão de um homem querer ter tantos carros quanto seu dinheiro puder comprar, tantas mulheres quanto seus argumentos puderem conquistar e tantos seguidores quando seu twitter permitir. Enquanto não colocarmos Deus, o Infinito, no lugar que pertence a Ele, as coisas e as pessoas não terão seu devido valor. Serão “sobre” ou “sub” estimadas.
Assim, se pudesse aconselhar você, eu diria: - Deixe Deus ocupar seu coração! Tenha um relacionamento pessoal com Ele! As coisas terão seu devido lugar. As pessoas também. Você encontrará o equilíbrio essencial para a felicidade que tanto busca. Viverá com entusiasmo! Sua família será beneficiada por sua mudança de prioridades, valores e princípios e sua vida terá muito mais sentido!

Referências:
  1. Central Intelligence Agency, https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/xx.html, acesso em 26/07/2012.
  2. Um exemplo pode ser encontrado no artigo de Stephen J. Gould entitulado “Challenges to Neo- Darwinism and Their Meaning for a Revised View of Human Consciousness”, publicado em ROSE, Steven R. The Richness of Life: The Essential Stephen Jay Gould. W. W. Norton & Company. 2006. pp. 232–233
  3. KRABB, Lawrence J., Inside Out - Expanded 10th anniversary edition. Navpress, Colorado, 2006. pp. 87-88.
  4. Número máximo permitido. Pessoalmente, creio que a razão número 1 do sucesso dessa plataforma social sejam nossas necessidades essenciais não satisfeitas.
  5. Tenho fortes razões para crer que Eclesiastes foi escrito pelo terceiro rei de Israel, Salomão, filho deDavi.

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