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O Significado do Delírio ? parte 3

Rádio Advento | 3:30 AM |

Delírio é uma alteração do conteúdo do pensamento. Confira a terceira aparte deste artigo.

O delírio será, então, a demonstração do sofrimento (há algo perturbando ainda não resolvido) como a própria tentativa de resolução do problema (defesa), até que a pessoa consiga lidar com o mesmo de maneira construtiva e realista.
A regressão do psicótico o leva ao modelo primitivo de pensar. O que ele pensa, existe. Pega as coisas ao pé da letra, igual uma criança. Imagine uma criança de uns 6 anos de idade que escuta um adulto dizer: ?Nossa! Papai pagou o pato por aquele problema!? O que ela entenderá por ?pagou o pato?? Ela vai pensar concretamente e poderá imaginar como seria alguém dando dinheiro a um pato! Assim é com o psicótico. Ele atribui concretude aos processos e conteúdos do pensamento. E se o que pensa é muito doloroso, certamente usará um mecanismo de alívio, que poderá ser distorcido da realidade: o delírio. Ele não consegue usar o juízo crítico para avaliar seus próprios pensamentos para ver se eles estão baseados na realidade. O juízo crítico está danificado. Ele realmente crê que pagar o pato é dar dinheiro a uma ave, ao pato.
Então ocorre dificuldade de estabelecer relações humanas normais neste adulto delirante. No caso da esquizofrenia, ele não consegue ligar-se com os outros normalmente e nem consigo mesmo. É um sofrimento cruel.
Se a criança não contou com a presença de uma mãe afetiva e se a própria criança contribuiu para o seu sofrimento devido às suas próprias características, capacidade e limitações, tendo trazido de nascença aquela ?bagagem defeituosa?, ela estará mais propensa a desenvolver doenças emocionais quando adulta, dependendo também de eventos traumáticos a que estará exposta, podendo ter uma crise psicótica e o delírio.
Que fazer ao se lidar com uma pessoa com delírios? Primeiro é preciso muita paciência, ficar mais tempo em silêncio junto da pessoa, e lembrar que os delírios estão sempre ali. A pessoa pode não expressá-los sempre, mas usualmente eles são onipresentes.
1. Estabeleça um relacionamento de confiança com a pessoa:
Não queira arrazoar, argüir ou desafiar o delírio. Tentativas de provar que o delírio não é algo real são inúteis. . 
Assegure à pessoa que ela está protegida e que nada de mal ocorrerá. 
Não deixe a pessoa sozinha. Use sinceridade e honestidade sempre. 
Encorage a pessoa a verbalizar sentimentos de ansiedade, medo, e insegurança ? ofereça cuidados e proteção para prevenir lesões a ela mesma e a outros. 
Expresse aceitação pela necessidade da falsa crença do delírio. 
Concentre-se na pessoa e não na necessidade de controlar sintomas. Fique calmo.
2. Identifique o conteúdo e tipo do delírio:
Ajude a pessoa a compreender o propósito do delírio.   
Esclareça qualquer confusão na fala da pessoa perguntando o que ela está dizendo. Se você não tentar esclarecer isto a confusão poderá ser maior, assim como a ansiedade e reafirma o delírio. 
Não confirme ou alimente o delírio perguntando sobre ele quando a pessoa não está delirando. Exemplo, nunca pergunte: ?Apareceu aquela perseguição hoje?? 
Identifique a presença de um tópico central. 
Identifique a presença de um padrão de sentimento central.
3. Investigue o significado do delírio:
Avalie áreas na vida da pessoa que ela não está mais apta para manejar ou participar.   
Avalie caminhos concretos nos quais o delírio interfere com o funcionamento da pessoa.   
Pergunte se a pessoa está tomando decisões baseadas nos seus delírios.
Sem argüir ou concordar, pergunte a lógica atrás do delírio. Por exemplo: ?Se há pessoas perseguindo você, quem elas são??
4. Avalie a intensidade, frequência e duração do delírio:
Delírios fugazes podem ser trabalhados em curto espaço de tempo. 
Delírios rígidos, os quais têm durado longo tempo podem ter que ser temporariamente evitados a fim de prevenir-se que se tornem um bloqueio no relacionamento com a pessoa.   
A pessoa sempre saúda você com o delírio? Se sim, escute simplesmente e então mostre as tarefas a serem feitas. 
Se parece que a pessoa não para de falar sobre o delírio, pergunte gentilmente se ela lembra do que vocês têm feito como tarefa de tratamento e peça-a para seguir com a mesma ou terminá-la.   
Se a pessoa está muito animada para falar do delírio, simplesmente escute quieto até que não exista mais necessidade disto. Lembre-se de que é útil dar à pessoa confirmação durante o delírio de que ela, como pessoa, está indo bem. 
Há algumas barreiras que impedem uma intervenção de sucesso. Vejamos:
  • Tornar-se ansioso e evitar a pessoa ? isto leva à irritação, raiva, senso de desesperança e falha, sentimentos de inadequação.
  • Reenforçar o delírio ? não se envolva no delírio mesmo tentando conseguir a cooperação da pessoa.
  • Tentar provar que a pessoa está errada ? evite exigir uma explicação lógica.
  • Colocar metas irrealísticas ? não subestime o poder do delírio e da necessidade que a pessoa tem dele.
  • Incorporar-se no sistema do delírio ? isto produz grande confusão para a pessoa e tornar-se impossível estabelecer limites. 

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