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Doença do Pânico e Conflito Mal Resolvido

Rádio Advento | 9:30 AM |


doencaDoPanicoEConflitoSerá que os remédios resolvem tudo na doença do pânico? Há necessidade de aprender algo mais?

A Doença, Transtorno ou Síndrome do Pânico é uma das manifestações da ansiedade. Ansiedade é diferente de depressão. O Transtorno do Pânico é tratado por psiquiatras com medicação específica e com psicoterapia também. É uma crise muito desagradável que a pessoa tem, na qual ela tem a sensação de que vai morrer (o coração vai parar), ou vai perder o controle ou o juízo, parecendo que irá enlouquecer. Há taquicardia, sudorese, sensação de sufocação, muita aflição, muita insegurança e pânico mesmo. Dura alguns minutos e logo passa, voltando a ocorrer em outros momentos ou dias após.
A Doença do Pânico é um transbordamento da ansiedade. Do ponto de vista biológico, acredita-se que há um distúrbio em certos neurotransmissores, que são substâncias cerebrais que fazem a mediação neuroquímica responsáveis pelas emoções. Do ponto de vista psicológico há autores que descrevem-na como estando presente em pessoas que aparentemente são autônomas, independentes, seguras, ativas, empreendedoras, mas que quando algo ameaça sua segurança e união afetivas, então surge um “curto-circuito” emocional, gerando os sintomas acima, configurando a Doença do Pânico.
Ela pode existir junto com uma fobia ou não. Fobia é um medo irrazoável. É o deslocamento da ansiedade forte para um ponto da realidade no qual a pessoa pode melhor suportar. Fobia é a concentração da ansiedade em outros pontos que não o central e básico do conflito da pessoa. É um medo específico. Se uma pessoa tem fobia, por exemplo, de elevador, ela é uma representação simbólica daquilo que na verdade incomoda a pessoa emocionalmente em seu inconsciente. A fobia, portanto, é uma defesa contra a ansiedade. Que ansiedade? A resultante do conflito básico na mente da pessoa.
Veja um exemplo clínico real. Pedro (nome fictício) vivia com toda sua família em Porto Alegre. Era muito ativo, muito apegado aos parentes. Sempre estava em companhia deles, se falavam por telefone constantemente, se encontravam nos fins-de-semana. Aprovado num concurso público, teve que ir trabalhar em Belo Horizonte. Solteiro, teria que viajar e morar sozinho numa cidade desconhecida e sem parentes. Na viagem de avião de Porto Alegre até Belo Horizonte, houve muita turbulência, e ele se sentiu muito assustado, ficando muito ansioso, e tendo a primeira crise de pânico nessa ocasião. De lá para cá passou a ter uma fobia intensa de viajar de avião. Interessante que quando mais jovem ele voava muito com seu pai num aeroclube da cidade, e em outros momentos. Naquela ocasião ele desfrutava dos passeios de avião com seu pai sem medo algum.
Por que passou a ter aquele medo terrível de viajar de avião posteriormente? O que passou a representar a fobia de avião na vida de Pedro? Ora, ele era superapegado à sua família, havia partido de casa para trabalhar em outro estado sem parentes por perto. Isto o deixara muito ansioso. A ansiedade pela separação dos familiares já estava muito alta mesmo antes da viagem de avião. Com a turbulência surgiu a crise de pânico, seguida de fobia de avião.
Seria muito difícil naquela ocasião para Pedro admitir que, na verdade, ele estava muito inseguro, triste e ansioso por se afastar do ambiente familiar indo para tão longe e sem conhecido por perto. O medo do avião passou a ser, então, o “bode expiatório”, o símbolo, do medo real, que era o medo da solidão afetiva, do afastamento afetivo, do rompimento psicológico com sua família originado pela mudança de cidade.
Para algumas pessoas, qualquer ameaça ou tentativa de afastamento da pessoa com quem se sentem muito seguras e ligadas afetivamente de maneira importante, produz uma ansiedade tal que elas podem experimentar uma crise de pânico justamente por ser essa uma maneira do excesso de ansiedade se manifestar.
Para resolver, a pessoa precisa, portanto, aprender a se sentir mais segura interiormente, mais autônoma de verdade, mais independente emocionalmente. Ela precisa tomar consciência de que, ainda que externamente se apresente na vida como autosuficiente, ela pode ser dependente dessa ligação afetiva para sobreviver como pessoa. Essa dependência precisa ser resolvida para que as crises de pânico desapareçam. O remédio sozinho não faz isto.

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