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O que passou, passou?

Rádio Advento | 3:00 AM |

Podemos anular todos os efeitos do passado num estalar de dedos?

Não é muito fácil entender qual a relação entre a qualidade da vida afetiva vivida ao longo dos anos da infância e juventude, e o comportamento na vida adulta, entendendo como isto afeta, por exemplo, o tipo de pessoas que escolhemos para nos relacionar, a profissão que assumimos, o sentido que damos para viver, como usamos o dinheiro, etc.

Não perceber tal conexão serve como defesa contra a dor mental. Só que não perceber não soluciona o problema. Algum dia, alguma hora, de alguma maneira seu corpo-mente vai precisar "colocar as cartas na mesa" para revolver o que pode ter ficado anos e até mesmo décadas mal resolvido em seu interior. Sintomas físicos podem significar isto. Uma ?crise? emocional também. Este é o momento do enfrentamento da angústia e da sua verdade. E ao conhecer a verdade, ela, finalmente, poderá libertar você.

Para uma criança desenvolver autoconfiança ela precisa de estímulos positivos especialmente de seus pais ou cuidadores, vindos por palavras amáveis, elogios sinceros, abraços com afeto, brincar com ela, não exigir dela tarefas nem fáceis e nem difíceis demais, colocar limites para ela, ensiná-la a se autocontrolar e a se proteger, incentivá-la a se sociabilizar, etc. Quando estes estímulos não ocorrem ou quando, além disso, há atitudes abusivas para com a criança, tais como xingar, espancar, gritar, usar apelidos depreciativos, falta de toques e de afeto, não colocar limites, dar tudo o que ela deseja, etc., desenvolve-se nela um pensamento-sentimento inconsciente de não ter valor como ser humano e/ou que todos devem fazer o que ela quer na hora em que ela quer (baixa tolerância à frustração).

Quando os pais maltratam uma criança, ela tem a tendência de crer que a falta é dela e não dos pais, porque ela normalmente não sabe analisar a situação e concluir que o erro não é dela. Para sobreviver como personalidade a criança precisa acreditar que seus pais (ou cuidadores) são perfeitos e que ao haver um abuso contra ela, o erro é dela. Assim surge a auto-imagem negativa que irá afetá-la na vida adulta de maneiras variadas, por exemplo, através de dificuldades de definir o que gosta, o que deseja na vida. Ou escolhe-se como marido/esposa pessoas complicadas porque em sua baixa auto-estima é como se houvesse a mensagem em sua mente: "Você não merece ser feliz nos relacionamentos!"

As mentiras que a criança escutava na infância: "Você não presta!", "Você não vale nada!", entranham-se fortemente na mente da sensível criança tornando-se crenças centrais. Então, ela se comporta como se fosse mesmo uma pessoa imprestável, sem valor nenhum, podendo viver uma vida medíocre, sofrida, complicada, desnecessariamente. Até quando? Até quando questionar tudo isto, quiser mudar e não aceitar passivamente que ela é assim mesmo e que não tem jeito.

Importante compreender e refletir que mais importante do que nossos pais fizeram com a gente, é o que nós fazemos com o que eles fizeram! Na vida adulta não adianta ficar lamentando o passado, criticando os pais, revoltando-se contra as pessoas que cuidaram de você. Certo que poderá haver momentos em que emoções fortes precisarão ser expressadas e experimentadas adequadamente, sendo fruto dos maus tratos (reais ou imaginários) da infância que geraram dor emocional.

Mas chega um momento, se você quer realmente amadurecer, em que precisará assumir a responsabilidade de cuidar de si mesmo, vencer as tendências fortes e inclinações para culpabilizar os outros, admitir suas dores, medos e inseguranças, e pedir ajuda a Deus para sobrepujar tudo isto, e ser um vencedor, não sobre as outras pessoas, mas sobre seu lado negativo e depreciador de si mesmo. Muitos paralisam na vida porque se concentram no passado jogando toda a responsabilidade dos seus sofrimentos nos outros, negando que agora a questão é consigo.

Nosso maior inimigo tem que ver com os aspectos doentios de nosso "eu" (self) e nossa maior vitória tem que ver com relação a nós mesmos. Milhões de pessoas tentam conquistar o mundo como uma expressão da auto-conquista interior que eles não conseguem obter. Jesus disse: ?De que adiantará para uma pessoa ganhar o mundo todo se vier a perder a sua vida?? E, parafraseando-O, digo: De que adianta uma pessoa ganhar fama, poder econômico, eclesiástico ou político, ganhar "amores" em aventuras românticas, se ela não se encontra, se não vence a si mesma, se não aprende a administrar suas próprias emoções e pensamentos doentios, passando a ter uma vida útil, feliz e produtiva para si e para os outros?

Talvez você tenha limitações que outras pessoas não têm. É verdade. Mas, lembre-se: "Deus escolheu as coisas (e pessoas) loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas (e pessoas) fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas (e pessoas) vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante Ele. ...Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens." Apóstolo Paulo em 1 Coríntios 1:27, 28, 29 e 25.

Sua tarefa é, portanto, primeiro de tudo, admitir sua impotência para mudar a si mesmo. Segundo, crer que há cura disponível e desejá-la com todo o seu coração. Terceiro é pedi-la ao Deus da sua concepção. Quarto é fazer sua parte que envolve: a)Lutar contra os pensamentos auto-depreciadores; b)Identificar e valorizar as coisas positivas em si mesmo; c)Agir "como se" ? como se sentisse já valorizado, sem esperar pelo sentimento porque o sentimento de autovalor poderá demorar a ser instalado dentro de sua mente; d)Não mais culpar as pessoas; e)Fazer o melhor que puder e relaxar; f)Ter uma atitude amistosa, reflexiva, perdoadora para consigo ao invés de atacar-se diante de erros cometidos, escolhendo evitá-los de novo.

O que passou, passou? Sim e não. Não porque não podemos anular todos os efeitos do passado num estalar de dedos, e sim porque também não precisamos viver como vítimas dele. A mudança, para os que a desejam e buscam ativamente, é lenta mas possível. Um dia de cada vez.

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