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O Preço (Alto) Pago Pela Perda do Eu

Radio Advento | 9:30 AM |

Como a busca de amor das pessoas afeta sua vida?

O ser humano paga o preço (alto) de perder a identidade na busca de amor das pessoas, especialmente dos pais ou das figuras mais importantes de sua vida infantil. É duro admitir isto, porque, em geral, quando a pessoa se dá conta disso, já passou bastante tempo da vida, e o tempo não volta.
Milhões de pessoas no mundo todo gastam dinheiro e horas em filas de hospitais e clínicas em busca de terapia psicológica ou querendo um remédio para a angústia ou depressão muito por conta do sofrimento que é conseqüência do elas fizeram consigo mesmas em função do que foi feito com elas, especialmente ao longo dos primeiros anos de vida no ambiente familiar onde cresceram.
“Não se pode acentuar demasiado a importância da educação ministrada à criança em seus primeiros anos. As lições que a criança aprende durante os primeiros sete anos de vida têm mais que ver com a formação de seu caráter, do que tudo que ela aprenda em anos posteriores.” Ellen G. White, Mente, Caráter e Personalidade, vol.1, p.149.
Porém, mais importante do que seus pais fizeram com você na sua infância, é o que você faz com o que eles fizeram.
Em algumas crianças, alguma coisa nelas as fizeram decidir tomar um rumo resultando na perda (pequena, média ou grande) da identidade quando sentiam que a pessoa de quem elas queriam amor na meninice não dava do jeito que elas esperavam, quando estas crianças eram espontâneas. Ou seja, a necessidade de amor que elas sentiam era tão forte e algo tão vital que elas decidiram (inconscientemente) perder em parte a identidade para adotar uma que, algo dizia que daquele jeito, elas teriam a aceitação, amor, aprovação que queriam.
Porém, nem todas as crianças têm uma sensibilidade que as fazem perder a identidade por causa da busca de serem aceitas. Há crianças que ficaram resistentes, talvez rebeldes, diante de um pai ou mãe que não foram afetivos como elas esperavam que eles fossem. Nesses casos, a rebeldia foi a defesa encontrada por aquelas crianças para não sucumbirem, ou para resistirem à pressão de ter de perder a identidade para granjear afeto. Não estou defendendo o comportamento rebelde, mas tentando mostrar que ele pode ser a salvação para um grupo de pessoas que, claro, mais tarde terão que aprender o auto-domínio para não sair por aí “peitando” as pessoas o tempo todo como se fossem donas do mundo.
Então, na verdade, há dois lados nesta questão: (1)o que pai e mãe podem ser para um filho e o quanto eles passam para o filho de amor, carinho, aprovação, aceitação, elogios, etc. e (2) o quanto este filho é sensível ou resistente, para sofrer mais, ou menos, se não recebe tudo o que quer.
Um filho mais resistente ou menos sensível afetivamente, não perde muito da identidade para obter afeto. Um filho mais sensível ou menos resistente afetivamente, pode perder bem mais nesta busca. E pode perder tanto que se torna um psicótico, que é, justamente, uma pessoa que tem sua personalidade gravemente perturbada, passageiramente (crise aguda reversível) ou cronicamente (sem retorno à normalidade, ou com retorno parcial). E não estou reduzindo a psicose a este problema, pois ela é algo mais complexo que isto.
O filho mais resistente pode sublimar o que faltou e canalizar isto para uma atividade na vida que encaixa com a sociedade “produtiva”. Ou seja, pode se tornar, por exemplo, um empresário "agressivo" que conquista muito espaço econômico. Alguns destes canalizam tanta energia afetiva no seu "negócio" que realmente fazem muito progresso econômico, mas podem ter perdas na vida afetiva e não se darem conta disto, a não ser quando chega nos anos 50 ou 60 e sentem algum vazio “inexplicável”, ou quando alguma doença psicossomática o atinge, etc. Alguns nem sentem isto e permanecem "produzindo" até morrer, "matando a vida afetiva" sem psicotizar, claro, mas sem viver relações afetivas com as pessoas, e sim com as coisas (empresa, produtos, dinheiro, conquistas, prêmios, aparência exterior, promoções, fama, poder, status).
Não estou dizendo que um bom profissional, empresário ou não, não pode ser afetivo. Estou dizendo é que é comum seres humanos adultos canalizarem seu vazio emocional não devidamente preenchido durante os anos da infância para o seu "negócio", e isto é o melhor que eles puderam fazer com a resistência que tinham quando crianças para não sucumbir como pessoa, para não perderem a personalidade. Pelo contrário, a reafirmam na profissão.
Para muitas pessoas resistentes, sentimentos para elas é sinônimo de fraqueza, de fragilidade. Será que os mais resistentes perdem algo da ternura do ser?
Acho que podemos ser bons no que fazemos sem machucar as pessoas ao redor. Acho que podemos aprender a ser mais resistentes afetivamente e ainda sentir sentimentos e ser empáticos para com a dor ou a limitação do outro. Assim como os mais sensíveis podem aprender a serem mais resistentes e não tão melindrosos e não tomar as coisas muito pessoalmente.
Uma pessoa sensível que não sucumbiu psicologicamente ao longo da infância, pode chegar na vida adulta e ser produtivo, geralmente em produções artísticas, literatura, filosofia, e outras ciências humanas em geral. No que fazem, buscam sobreviver e restaurar a identidade perdida em algum nível qualitativo e quantitativo.
Uma pessoa mais resistente, no que fazem tentam comprovar sua capacidade de resistir, de sobrepujar a dor, de fazer de conta que o que faltou não fez e não faz falta. Por isso, querem a vitória a qualquer preço, trabalhando demasiado, com garra, em fins de semana, 12 horas por dia, e quando obtêm o que queriam, vem o vazio. Daí colocam novo alvo, mais uma empresa, mais um título acadêmico, mais um casamento, mais um amante, mais uma conta no banco, mais uma viagem, mais um imóvel adquirido, não podem parar.
Mas para ter saúde mental, cada um tem que parar, o sensível e o resistente, para lidar com sua dor de modo construtivo, e ver que a vida é mais do que afeto humano e mais do que aquisições de bens e honras mundanas. A vida é sublime. E o afeto é muito importante. Ele atua na fisiologia humana muito mais do que pensamos.

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