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A morte é a melhor invenção da vida. É?

Rádio Advento | 3:00 AM |


aMorteMelhorInvencaoA morte é realmente a melhor invenção da vida, como disse Steve Jobs da Apple? Ou é um acidente? Quando ela pode ser boa?

Steve Jobs, fundador da Apple que morreu semana passada disse: "A morte é a melhor invenção da vida." A vida é estranha. Corruptos vivem até quase 100 anos de idade, e um indivíduo super criativo morre aos 55. Nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos. Faz sentido?

Steve estava certo ao dizer no discurso de formatura em que foi paraninfo em Stanford que a morte dá lugar a novas pessoas com novas ideias. Verdade. O velho computador, lento, pesado, volumoso, dá lugar a uma máquina rápida, leve, de dimensões bem menores, portátil como um laptop, por exemplo, e agora, um Ipad. Menor ainda, como um Iphone.

Uma pessoa idosa morre e dá lugar a uma mais nova. Mas e a experiência adquirida em tantos anos de erros e acertos? O que o idoso pode oferecer aos jovens? O que os jovens podem aprender com os idosos lúcidos? A sabedoria não pode ser desprezada pela energia da juventude. Muitos dizem: "Por que não me aproximei mais de meu pai para aprender com ele antes que ele morresse?" Você pode fazer isto hoje. Faça antes da morte dele. Ou da sua.

Não concordo com Steve Jobs que a morte é a melhor invenção da vida. A vida não inventou a morte. A morte é uma intrusa na vida. É um acidente, uma falha, um erro. Deu erro.

Mas concordo que a morte pode trazer nova vida psicológica ou comportamental. Claro, não para quem morreu, mas para o que morreu na pessoa que ainda está viva. Terapia psicológica ou psicoterapia é um instrumento que usamos profissionalmente para tentar ajudar as pessoas a morrerem para um eu doentio, e ressurgir para um eu sadio. Só que ela, a terapia, não faz milagres. E nem produz mudanças rápidas. Isto porque a pessoa morre para o eu antigo na rapidez que ela aguenta e não na rapidez da vontade do psicólogo ou psiquiatra que realiza a psicoterapia. Já escrevi aqui que a gente muda, quando a gente muda. E mudamos quando estamos preparados para a mudança. Nem antes e nem depois.

Mudar é difícil, mas é vital. Se não mudarmos, morremos, já que estagnar é um tipo de morte. Mas mudar para ser o quê, quem? Uma pessoa com mais sintonia consigo mesmo em primeiro lugar.

E o que faz você estar preparado para mudar? Pode ser uma crise, uma doença, um acidente, uma tragédia, uma perda insuportável, uma traição, uma obsessão, uma necessidade vital. Uma crise emocional, psicótica ou não, é um alarme dizendo que algo precisa se mudado na pessoa. Algo tem que morrer para dar lugar a um jeito de ser melhor. Mas muitos não sabem que podem adquirir um jeito melhor de ser e viver consigo mesmos. Alguns podem. Talvez nem todos. Isto porque há situações em que o máximo que se pode alcançar é a aceitação do que não se pode mudar. E esta aceitação pode produzir alívio. Sem ela a morte pode ficar perturbando. Aceitar o que não podemos mudar é a morte do ideal e o nascer do real. Não é fácil.

A morte é uma droga, quando ela tira da vida um ser amado. Neste caso ela não é a melhor invenção da vida. Ela é, sim, um espanto, uma dor, uma ferida que pode nunca curar bem nesta vida.

Cuide bem da sua vida. A velhice chegará e com ela a morte. Até que a morte será tragada para sempre pela vida. Daí se dirá: Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Neste sentido, de interrupção da vida humana, a morte é um inimigo. Mas a vida é vitoriosa. Viva a sua vida. Viva e deixe viver.

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