O Perdão Não É De Graça

Partes 1 a 7 - O que é perdoar? É esquecer? É para pessoas fracas? Perdão é algo de graça? O que se ganha e o que se perde com ele?
Será o perdão algo grátis que distribuímos por aí como os indivíduos que ficam entregando folhetos de propaganda nos semáforos? Existe limite para perdoarmos? Há situações em que não cabe o perdão? Perdoar é algo para fracos e dependentes? Quem perdoa esquece? Ou lembra para resolver bem? Viver com mágoa, sem perdoar, adoece a pessoa que não perdoa? O que envolve o perdão? Um cônjuge traído tem que perdoar e tem que reconciliar-se com o adúltero? O que se perde com dar o perdão e o que se perde com não oferece-lo? E o que se ganha? É o perdão algo injusto em certos casos, como perdoar um estrupador de crianças, um marido/esposa que repetidas vezes trai, ou políticos que roubam sistematicamente até serem provados culpados numa CPI honesta?
Quando alguém comete um ato abusivo contra você, como furtar algo seu, agredi-lo com palavras ou fisicamente, quando trai sua confiança seja no casamento ou em outro tipo de relacionamento em que a confiabilidade é fundamental, quando mente para você, tudo isto produz uma perda. Quando um cônjuge trai seu sonho de comunhão agradável, quem sabe porque é imaturo o suficiente para não saber amar, por ser impulsivo e autoritário, dependente ou independente demais, frio ou pegajoso, onde fica o perdão? O que ele promove quando praticado? Amadurece a pessoa faltosa? Muda o outro a quem se perdoou?
O perdão não muda necessariamente a pessoa ofensiva que foi perdoada. Em alguns casos espetaculares de perdão, o ofensor pode decidir mudar para melhor pelo impacto exercido sobre sua consciência como resposta do perdão imerecido recebido. O amor do perdoador pode constrangir o ofensor e neste constrangimento ele pode decidir mudar para melhor.
Mas há pessoas que não se importam se são ou não perdoadas. Elas simplesmente não se importam. Continuam em seus erros seguidamente ou com frieza para com a justiça, a verdade e o bom senso, ou com arrogância, prepotência, ironia, e sem a mínima emoção de remorso. Algumas delas são pessoas com transtorno de personalidade. Podem ser também pessoas muito dominadas pelas suas emoções e desejos mais instintivos e primitivos. Elas repetem os erros porque querem obter o que desejam de qualquer maneira. No mundo político e em pessoas que se viciam em romances e paixões isto é comum.
O perdão não muda a pessoa que o recebeu porque ela pode não estar interessada nele, mas sim no objeto de seu desejo que pode ser superficial, ou pode ser profundo, mas geralmente obsessivo a ponto do indivíduo ficar cego e agir possuído pelo desejo que pode ser saudável, como obter afeto de alguém, mas que muitas vezes se torna numa busca irracional. Nestes casos ela não se preocupa com o perdão que é oferecido pela vítima a quem ela machucou, mas em ter o que quer, custe o que custar. Isso é fruto de uma mente adoecida.
Mas o perdão oferecido gratuitamente pode ser um ingrediente importante para que a pessoa ofensiva, em algum momento da vida, reflita sobre seus erros, os reconheça, admita que errou, aceite o perdão, e obtenha serenidade. Isso é fruto de uma mente saudável. No próximo artigo continuo estas considerações.
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